Em carta escrita na prisão, empresário que matou gari em BH diz que caso foi ‘acidente’

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter assassinado um gari a tiros, em Belo Horizonte, descreveu o caso como um “acidente” em uma carta escrita por ele na prisão. O documento foi assinado a próprio punho, na última segunda-feira (25), e entregue à defesa de Renê. Nele, o réu ainda diz ter certeza que irá “resolver esse mal-entendido”.
Segundo o portal g1, a carta foi escrita em meio à terceira troca de advogados do empresário. Inicialmente, Renê era representado por um time de defesa mineiro, que abandonou o caso alegando “motivos de foro íntimo”. Depois, o posto foi assumido por Dracon Cavalcanti Lima.

No entanto, ainda na segunda-feira, Lima descobriu uma nova troca de defensores do empresário nos sistemas da Justiça. Trata-se de Bruno Silva Rodrigues, advogado do Rio de Janeiro, ainda conforme o portal da TV Globo.
Veja também
Esposa do empresário é afastada da Polícia
A esposa de Renê, a delegada Ana Paulo Lamego Balbino Nogueira, foi afastada das atividades da Polícia Civil de Minas Gerais por 60 dias. O empresário disse às autoridades que utilizou a arma de trabalho dela para assassinar o gari.
O afastamento foi publicado no Diário Oficial do Estado no último sábado (23), 10 dias após o primeiro pedido para licenciar Ana Paulo do trabalho. No texto, o afastamento da delegada foi justificado em razão de um “tratamento de saúde”.
“Conforme publicado no Diário Oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que foi concedida à servidora licença médica de 60 dias para tratamento de saúde, nos termos da lei”, disse a Polícia Civil de Minas Gerais, em nota ao jornal O Globo.
Renê afirma que a esposa não teve envolvimento no delito. A delegada foi ouvida pela Corregedoria e se tornou alvo de investigação. Ela não estava presente quando o crime aconteceu.
Relembre o caso
A vítima estava em serviço no momento do crime, a manhã do último dia 11 de agosto. Segundo a Polícia, o empresário atirou em Laudemir após discutir com a motorista do caminhão de lixo. Renê exigiu que fosse liberado espaço na rua para que ele pudesse passar de carro, um veículo elétrico do modelo BYD.
Após a discussão, o empresário desceu armado do carro e disparou contra Laudemir. O gari foi socorrido, mas faleceu no hospital. Segundo relato da motorista do caminhão de lixo, identificada como Eledias Aparecida Rodrigues, Renê demonstrou pressa e chegou a afirmar que “daria um tiro” no rosto da mulher.
Após a ameaça, ele teria descido do carro e mirado nos garis que tentavam pedir calma diante da situação. Eledias explicou ter visto todo o crime por meio do retrovisor do caminhão. “Ele vai atirar, ele está armado”, contou ela sobre o que teria dito antes do disparo que atingiu Laudemir.
“Ele se irritou porque o trânsito ficou agarrado e não poderia passar no momento que ele queria, porque o carro dele é um carro grande. Os carros populares menores passaram e ele teve que esperar”, disse a motorista.