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Cotado para assumir embaixada venezuelana nos EUA, Felix Plasencia já está em Washington

O diplomata venezuelano e ex-ministro das Relações Exteriores Félix Plasencia está em Washington conduzindo negociações em nome do governo da Venezuela para a reabertura da embaixada do país nos Estados Unidos. Três fontes confirmaram a informação ao Brasil de Fato e afirmaram que ele chefia a delegação enviada à capital estadunidense e que é cotado para ser um possível embaixador nos Estados Unidos.

A comitiva venezuelana deve se reunir na terça-feira (13) com altos funcionários da administração do presidente dos EUA, Donald Trump, para tratar do assunto. Plasencia também discute a retomada de canais consulares, como uma alternativa mais imediata.

Plasencia é diplomata de carreira. Foi ministro das Relações Exteriores da Venezuela entre 2021 e 2022 e exerceu funções de vice-ministro em áreas multilaterais e regionais. Atualmente, é chefe da missão venezuelana no Reino Unido e representante permanente do país na Organização Marítima Internacional.

Fontes ouvidas pelo Brasil de Fato afirmam que ele é próximo da presidenta interina Delcy Rodríguez e um dos nomes mais cotados para assumir a embaixada depois da reabertura.

A reabertura dos espaços diplomáticos dos dois países tanto em Washington quanto em Caracas começou a ser discutida dois dias depois do sequestro de Maduro. O mandatário está detido nos Estados Unidos desde 3 de janeiro e pediu uma visita consular. As negociações entre EUA e Venezuela incluem a possibilidade de atendimento desse pedido.

O ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello afirmou em entrevista coletiva nesta segunda-feira (12) que parte das tratativas é voltada à situação de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, também sequestrada pelas tropas estadunidenses.

“Isso vai nos permitir ter representação consular para velar pela segurança e tranquilidade do nosso presidente Nicolás Maduro e de Cilia”, disse o ministro.

Na última sexta-feira (9), o governo venezuelano recebeu uma delegação do Departamento de Estado para avaliações técnicas e logísticas.

O objetivo é restabelecer a representação estadunidense em Caracas e a venezuelana em Washington. As duas embaixadas estão fechadas desde 2019, quando a Venezuela rompeu relações com os Estados Unidos após a Casa Branca reconhecer o opositor Juan Guaidó como autoridade legítima.

Encontro com opositora

O avanço das negociações diplomáticas ocorre no mesmo momento em que Trump indicou intenção de retomar relações comerciais com o país caribenho e sinalizou uma aproximação com opositores venezuelanos. A agência de notícias Efe publicou nesta segunda-feira que Trump deve se encontrar na quinta-feira (15) com a ex-deputada ultraliberal María Corina Machado.

Ela já havia feito acenos ao mandatário estadunidense nos últimos meses e chegou a dizer que dedicaria o seu Prêmio Nobel da Paz ao republicano. No entanto, logo depois do sequestro de Maduro, o mandatário estadunidense disse que Corina não tinha “apoio interno” para comandar uma “transição” na Venezuela e, sem dar detalhes, afirmou que isso ficaria a cargo da Casa Branca.

Esse aceno de Trump à oposição não preocupa Caracas neste momento. Integrantes do governo venezuelano afirmam que há negociações em andamento e que a Casa Branca mostrou estar disposta a dialogar com a presidenta interina Delcy Rodríguez neste primeiro momento. O domínio da economia venezuelana por parte da mandatária faz diferença neste processo. Ela foi ministra das Finanças e do Petróleo nos últimos anos e foi responsável pela estabilização da economia do país em meio às sanções estadunidenses.

Os próprios opositores também descartaram, neste momento, um movimento brusco de Trump, como foi feito em 2019. Na ocasião, o republicano passou a administração da embaixada para o opositor Juan Guaidó, em uma decisão que levou ao rompimento das relações.

Lideranças opositoras que estão nos EUA esperam que Trump negocie uma “mediação” com participação de María Corina neste processo, mas que só será possível entender a intenção da Casa Branca depois desse encontro.

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