A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou nesta quinta-feira (20) que o escândalo de corrupção na Ucrânia não é um caso isolado, mas um fenômeno “sistemático”. “É mais um abscesso que estourou neste corpo em decomposição do regime de Kiev”, completou.
Para a diplomata, a investigação contra o empresário Timur Mindich, tido como figura central do escândalo e próximo ao presidente Volodymyr Zelensky, contribuiu para a queda na popularidade do líder ucraniano.
“As autoridades de Kiev estão lavando dinheiro destinado pelo Ocidente à produção de drones, a maioria dos quais é destruída pelo exército russo”, afirmou ela.
Na véspera, Maria Zakharova já havia afirmando, durante uma entrevista à agência Tassque o Ocidente deveria “compartilhar a responsabilidade pela corrupção na Ucrânia”. Segundo ela, os países da “comunidade ocidental bajularam” e forneceram plataforma para práticas ilícitas na política de Kiev.
Além disso, a porta-voz da chancelaria russa associou as notícias sobre o escândalo de corrupção na Ucrânia com os protestos do Euromaidan de 2014, que resultaram na derrubada do então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, e em uma guerra civil no país. Segundo Zakharova, as acontecimentos daquele ano levaram a Ucrânia à “destruição do país por meio do controle externo”.
“Estas são as consequências do Euromaidan. Não se trata de um escândalo de corrupção ou de uma história de corrupção, claro que não. Estas são as consequências da destruição da soberania ucraniana por meio do controle externo, do fluxo descontrolado de armas e dinheiro e, claro, da ausência de qualquer sistema de responsabilização em todos os parâmetros”, disse ela durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira.
Entenda o escândalo na Ucrânia
O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO) relataram a descoberta de um esquema de corrupção em larga escala na empresa estatal ucraniana de geração de energia nuclear, Energoatom. Segundo os investigadores, a empresa era controlada por um grupo organizado que exigia propinas de 10% a 15% dos contratos concedidos aos contratados.
Segundo o órgão ucraniano, a investigação durou um ano e meio e coletou aproximadamente mil gravações de áudio. Um dos principais suspeitos era o empresário Timur Mindych, considerado um associado próximo do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy. O empresário deixou o país algumas horas antes da operação dos órgãos anticorrupção.
Em 11 de novembro, o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) acusou sete membros de um grupo criminoso suspeitos de lavagem de aproximadamente US$ 100 milhões no setor energético do país. As buscas da operação incluíram as casas do empresário ucraniano Timur Mindich, do Ministro da Justiça, Herman Galushchenko, e nas instalações da empresa Energoatom.
Posteriormente o órgão NABU informou que segundo a investigação pré-processual, entre janeiro e fevereiro de 2025, Timur Mindich, “aproveitando-se da situação que se desenvolveu na Ucrânia durante a lei marcial, de seus laços de amizade com Zelensky e de suas conexões com altos funcionários do governo (…) para satisfazer suas próprias necessidades, decidiu enriquecer-se ilegalmente cometendo crimes em diversos setores da economia ucraniana.”
Já o ministro da Justiça, Herman Galushchenko, foi afastado de suas funções e Lyudmyla Sugak, anteriormente vice-ministra para a Integração Europeia, foi nomeada para o seu lugar.